Claudenir Paz Siqueira Assi - De registro cível e Clau Assi de poesia. Da Língua Portuguesa, professora, da Poesia amadora. Da menina pequena que nasceu em 06 de outubro de 1965, no interior paulista pouco sobrou. Já não há a adolescente rebelde, moça que apenas sonha. Muito foi experimentado. Há mulher, somente. Porque sei mais da vida.

Hoje vivo em Barueri - SP, absorvo o mundo. E dele sou e serei sempre aprendiz: do sentido de família, com minhas filhas e marido, de ser humana com meus cachorros, de ser amiga com meus amigos, aprendo com os alunos, com o dia e a noite, dias e anos. Aprendo rindo e chorando. Cantando e dançando. E é essa aprendizagem que inspira meus versos.

Ler e escrever têm me movido profissional e pessoalmente. Deste meu delicioso hobby tiro meu sustento e meu stress. E dele tenho tido muitas alegrias como, por exemplo, ter meus versos publicados em alguns jornais: Jornal Alto Madeira, de Porto Velho, Rondônia – Caderno de Literatura em 06/11/2008; Jornal Pedra Lisa, de Itabira, Minas Gerais - em outubro, novembro e dezembro de 2008; Jornal Cidade de Barueri, Barueri, São Paulo - em 24/10/2007; participar da Coletânea “Poetas Del Mundo em Poesias” realizada pelo Movimento Poetas Del Mundo, abril 2008 e prefaciar o livro “A Porta do Coração” do poeta Théo Drummond.

AUTOBIOGRAFIA

EU???

sou poeta
que escreve
brinca
junta
acalma

ALMA

sou fada
que encanta
abençoa
aconchega
reluz

LUZ

sou bruxa
que desilude
amaldiçoa
separa
enerva

TREVA

sou mulher
que luta
batalha
peca
acerta

POETA
Clau Assi



LAREIRA

Crepita lareira
Teu corpo clareia
E o meu incendeia.

Clau Assi



DENTRO DE MIM

Dentro de mim mora um anjo;
Desafiado pela bruxa.
Dentro de mim grita uma diva;
Presa numa corrente.
E coabita uma amante;
Disfarçada de dama.
Uma sereia cantora;
Emudecida.
Lá dentro sonha a musa.
Quer ser cantada, declamada, cortejada.
Uma menina que teima não crescer;
Oprimida pela passagem do tempo.
Revolta-se a mulher tempestade,
Que padece em águas tão calmas.
E por ela é absorvida.

Clau Assi



TUA

No meio da noite
Fantasma de amor
Seu nome
Me ronda
Me tira o sono
Me leva a sonhar
Ardente sonho real
Me toco
Me sinto
Nesse momento
Em intensa explosão
Sou tua.

Clau Assi



RIBANCEIRA

Um tombo apenas
Rola abaixo,
Lama,
Sujeira,
Tristeza.
Tudo!
Correnteza carrega
Sonhos afogados
Ilusões perdidas.
Prostrada na ribanceira
Vejo a vida sumindo
Na curva do rio.

Clau Assi



P rO blEMA

meu poema
é paz, pus
mel, mal
cama, coma
cem, sem
Espelho!

Clau Assi



DESPERTAR

Hiberna uma criança em mim
Que sonha e corre
A criança dentro de mim
Sonha contigo
Poesia da vida
Versos de amor
Minha estrela noturna
Orvalho da madrugada
Sol matutino
Tem um porto seguro
No homem
Que encontrou em ti.
Oceano que inunda
Brasa que queima
Asas que libertam
Poeta que me despe
Que me acorda mulher
Felina
Sensual
Gata audaz
No cio

Clau Assi



ENQUANTO VOCÊ DORMIA


Enquanto você dormia
Escrevi este poema de dor
Adaga que corta e dilacera
Sem o menor rancor.

Enquanto você dormia
Escrevi este poema de solidão
Grito que não cala
E não acalma este meu coração.

Enquanto você dormia
Escrevi este poema de adeus
Abismo sem fim
Entre os sonhos meus e os teus.

Clau Assi



MENINA

Menina pequena,
Que sonha
Engatinha
Brinca
Dança
Castelos de areia
Castelos de nuvens
Infante.

Menina pequena,
Que pergunta
Aprende
Enriquece
Comanda
Meus saberes
Meus sentires
Criança.

Menina crescida,
Que vibra
Encanta
Tece
Floresce
Novos castelos
Nova aurora
Adolesce.

Clau Assi



PORTA RETRATOS

No porta retratos
Moldura dourada
Foto escurecida
Imagem amarelecida
Estática
Momento marcado
Estagnado
Memória de ser
De querer
De sonhar.

No porta retratos
Moldura dourada
Foto antiga
Pose fingida
Leitor da memória
De fantasias
Realizações.

No porta retratos
Moldura dourada
Tantas gerações
Tantas constatações
Indagações.

No porta retratos
Moldura dourada
Histórias
Lembranças
Tremores
Amores.

Clau Assi



SEM PRECONCEITO



Do Brasil até Angola
em torno da bola
a vida rola.

Clau Assi



DESABROCHAR

A raiz sustenta,
Porém, escondida, debaixo da terra.
São as flores que encantam o olhar
Aromatizam o ar.
Quero gritar.
Que o mundo saiba
Deixar, enfim, desabrochar
O meu amor por você.

Clau Assi



BÚSSOLA

Teus beijos
Úmida bússola
Indicação
De caminho
Antecipação.

Tuas mãos
Bússolas ardentes
Numa viagem
De desejos
Prazeres.

Teu amor
Bússola apaixonada
Chegada
Novo rumo
Nova vida.

Clau Assi



SOPRO DE AMOR


Deus,
Metáfora do amor
Criou você
Com suave sopro
Fez bater teu coração
Esculpiu corpo
Descortinou, num afago, a alma.

E Deus,
Sinônimo de amor
Criou-me
Contínuo sopro
Bonança de vida
Entalhou-me corpo
Costurou minh´alma.

Embalou-nos no tempo
Rebentos vivos
Norteou-nos a vida
Juntou dois corpos
Numa alma
Com suave sopro
Sopro de amor.

Clau Assi



CONVITE


É fim de tarde
Alaranja-se o dia,
O ipê, igualmente,
Colore o chão.
Lá fora império de uma cor.
Aqui, meu peito inflamado,
Rubro coração
Pintando o quarto.
É fim de tarde
Deixo-te a porta aberta.

Clau Assi



BEM-ME-QUER


O vento
Maroto e romântico
Brinca comigo
Sopra no meu ouvido:
Bem-me-quer.

Clau Assi



PESSOA

Fernando uma pessoa
Pessoa um homem
Fernando brilhante
Pessoa intrigante
Fernando único
Pessoa heterônimo
Heterônimo do pensador dos sentidos,
Do Carpe Diem, do “histericamente, histérico”
Todos Fernando
Todos Pessoa
Fernando ortônimo
Pessoa “ele - mesmo”
Fernando de Portugal
Pessoa do mundo
Fernando poeta como o sonho meu
Fernando como eu pessoa
Fernando dos versos meus
Pessoa da lágrima minha.

Clau Assi



NADA


Quando tudo se faz aperto
E o negrume da aflição grita
Talvez seja preciso
Não fazer nada
Nada pensar
Nem nada agir
Deixar que o nada se hospede
Que fique
Nos ensine
Limpe.
E então
Recebendo de braços aberto a claridade
Renascer.

Clau Assi



INQUILINO

Há novo inquilino no peito meu.
Abri-lhe a porta
Entreguei-lhe meu sono e inércia
Deixei que me despertasse.

Há novo inquilino no peito meu
Dei-lhe meus nobres sentimentos
Escancarei o meu querer
Deixei que me conquistasse.

Há novo inquilino no peito meu
Dominou tudo em mim
E então desperta e conquistada
Pedi que me amasse.

Clau Assi



MEUS OLHOS


Meus olhos
Radares atentos
Captam do mundo
Tudo que no íntimo sei.

Meus olhos
Refletores de mim
Desnudam
Minh’alma, essência.

Clau Assi



SESSÃO DE CINEMA


No escurinho do cinema
Pipoca
Chicletes
Coca
Doces
Delícias.

No escurinho do cinema
Eu
Você
Mãos
Peles
Sensações
Delícias.

No escurinho do cinema
Juras
Promessas
Crenças
Carinho
Delícias.

No escurinho do cinema
Filme
Filme?
Que filme?
Delícias.

Clau Assi



METADE DE MIM


Metade de mim deseja teu corpo
Metade queima,
Delira e geme
Molha.
Metade esbanja sensações.
Outra metade, razões.

Clau Assi



DEFINIÇÃO


Inquilinos do Universo.
Verdade universal:
Tudo que for nosso
Torna-se nós
Por conseguinte:
Sou você.

Clau Assi



MATERNIDADE

O antes, o depois
A menina, a mulher
A razão, a emoção.

Para a menina uma boneca,
Para a moça um ideal
Para a mulher uma criança.

Parte do corpo
Parte da vida
Inteiro o coração.

Um exemplo a dar
Um sonho a compartilhar
Uma vida a guiar.

Nunca mais estará só
Nunca mais será a mesma
Pra vida, agora, outro ideal.

Noite e dia passam
Meses e anos avançam
Uma vida e um sonho planeja.

É tempo de vôo
É tempo de busca
Da liberdade chegou a hora.

Parte o rebento
Busca ao relento
Um sonho pra seu contento.

Dói o corpo
Dói a vida
Dói o coração.

Mas não estará só
Junto de si a lembrança
Junto do outro a esperança.

Clau Assi



ODE A THÉO DRUMMOND

Conto aqui a história
Do homem sonhador
Que vida poética cultivou
Sua vida como livro vou expor.
Seus sonhos de poesias reais.
Capítulo por capítulo seguidos com rigor
Um ao outro vão se unindo
Apresentando sua história ao mundo-leitor.

Guri, mistura brincadeiras de criança
Com versos lidos e criados
Rapazote, por labirintos de amores se perdeu.
Encontra a cura em versos apaixonados
Homem, profissional, família e maturidade
Os versos continuam soltos, em estrofes transmutados.
Novos capítulos, novas rimas, estribilhos e conotações.
Capítulos e mais capítulos de sentidos impregnados.

Nos versos escondia dor, alegria, suor.
Sua vida, sua alma, sua poesia.
Muitas rasuras, riscos e rabiscos
Letras, palavras, rimas e versos faziam o seu dia.
Ainda hoje vive
Carrega consigo de sonetar a magia
Versando a vida, sua obra máxima
Mostrando em versos uma fotografia.

Aguarda, como todos nós, o epílogo que um dia virá
Distribuindo magia, sonho, emoção.
Seguindo os anseios d’alma
Obedecendo ao coração
Vive Théo Drummond
Homem que faz dos versos sua missão
Fazendo-se autor-personagem de uma epopéia inacabada
E da poesia superação!

Clau Assi



NOTURNO


O sangue quente e vermelho
Pulsante
Um corpo envolvente
Uma alma caliente.

Assim seguia inocente
Na noite fria
Silenciosa e sombria.

Frio, romântico e sensual
Calculista
Um corpo esguio
Uma alma perdida.

Vinha assim uma criatura
Na noite fria
Silenciosa e sombria.

Da aproximação
Não se pode afirmar
Sorte ou desventura.

Dos olhos dela calor
Dos dele torpor
Que anunciavam
O que outrora fora anunciado
Enfim seria realizado.

Imaculada
Desejada
Seduzida
Hipnotizada.

E assim como a noite
Inerte, calada
Aos braços dele se entrega.

Uma promessa de amor
Uma visão de eterna vida
Um sonho de rainha
Mostram-se no olhar.

Inclina de leve a cabeça
Seu sangue pulsa na veia
Envolvida como numa teia.

Do sangue se farta
Da alma se sacia
Do corpo se apodera.

Não pode mais fugir
Do que está por vir:
Vampira!
Nas trevas seguir.

Enfim ele viu consumado
O que por séculos era esperado
O encontro marcado
Com o ser amado.

Encontramo-os nas noites de lua
Espreitam pela rua
Procuram amantes ardentes
Apoderam-se das mentes
E espalham o que julgam ter valor:
Amor, sedução, terror.

Clau Assi



ONDAS


Ondas são gente,
Ora audazes que a tudo detêm,
Ora leves ondulações de um regato cristalino.

São sentimentos,
Por vezes arrasadores tsunamis
Quebrando-se, ofegantes, contra os rochedos inertes.
Outras serenas arrebentações
Espraiando-se sobre a areia sedenta.

E são intuições
Turvas e densas, afogam.
Ou límpidas águas prenhes de futuro.

Gente como ondas
Celebra o reencontro num envolvente abraço
Que apaga o tempo que foi e ignora o que vem.

Ondas como gente
Despedem-se lentamente, no seu retorno espumante.
Deslizam, desfeitas pela areia
Aquecida pelo sol poente
Num vai e vem incessante.

Para, enfim, recomeçarem
Ambas: gente e onda,
Novas vidas
Inovadas, renovadas.

Clau Assi



CORPO

Deitado ao meu lado
Inofensivo corpo adormecido
Que me protege
Me fortalece
Inócuo corpo dormente
Que me acalma
Me enche de vida.
Viril corpo em sono profundo
Que me chama
Me inflama.

Clau Assi



SONHOS

Alguns sonhos não se realizam.
Ficam no peito.
Sustentam a alma
Preservam o que não foi
Eternos.

Clau Assi



À FLOR DA PELE

Emoções tecidas
Em cada toque
Manifestando-se
Por todos os poros
Sensações
À flor da pele.

Clau Assi